A Manipulação da informação do discurso midiático e sua influência
acontecem com a articulação dos padrões de lingüística, das ações sociais, das
atitudes e das emoções. Se valendo deste processo, segundo Thompson (1995,
citado por SANTOS e MEDEIROS, 2009) o fenômeno esportivo não descarta a
participação da mídia na sua produção, difusão ou transformação criaram uma
relação harmônica e dependente.
Estudando este processo, Santos e
Medeiros (2009), analisaram reportagens da revista Veja no período entre 2007 e
2008 e identificaram que nas reportagens a figura do atleta esteve associada a
alguns elementos comuns que interagem entre si e relacionados a um modelo
vinculado a fatores identitários, normalmente associados ao atleta como herói
ou vilão.
Da mesma forma, Marque (2007
citado por MARQUES, GUTIERREZ e ALMEIDA, 2008) atesta que observar o esporte é
“testemunhar ações mercadológicas, em o que cria inúmeros personagens
ligados a esse universo” e cita alguns papeis representados por estas
personagens: Atleta-astro, atleta-produto, esportista-consumidor,
esportista-praticante, esportista-sedentário”.
Rubio (2001, citado por RUBIO, 2002) explica que esta situação foi gerada
pela construção espetacular da narrativa esportiva na qual a competição é uma
metáfora das batalhas.
Segundo SANTOS e MEDEIROS (2009) essas representações permeiam o
imaginário social e influenciam questões como a identidade nacional, o discurso
moral em torno do esporte e do atleta mais especificamente. Rubio (2002)
complementa que a mídia televisiva contribui profundamente para este contexto:
“a televisão transformou a audiência do
esporte em todo o mundo, e na medida que começou a perder a capacidade de
subsistir enquanto espetáculo ao vivo, tornou-se dependente de patrocínios
gerados pela abrangência das transmissões televisivas. Essa situação provocou o
incremento do profissionalismo no esporte, tanto no que se refere à possessão
do espetáculo pela televisão como em relação àquele que protagoniza o
espetáculo, o atleta.” (RUBIO, 2002)
A partir
aproximadamente dos anos 1970 observa-se que a relação do dinheiro e desempenho
esportivo passaram a levar o esporte a profissionalização e uma opção de vida
para crianças e jovens. Rubio (2002) nota na indicação de um atleta para
iniciar sua carreira existem elementos além de talento individual, mas também fatores
externos construídos que estendem-se até mesmo em sua trajetória. Para cada
“modalidade específica e, do esporte como um todo, desenvolve-se um conjunto de
práticas coletivas e comportamentos individuais chamados pelo senso comum de
cultura esportiva”, os quais, “levam à criação e multiplicação de um imaginário
esportivo, pautado, principalmente na história de vida de atletas ativos, que
ainda fazem o espetáculo esportivo, e inativos, que já realizaram grandes
feitos, registrando seu nome para a posteridade”.
Imagem encontrada em: http://runnersworld.abril.com.br/materias/herois/
*Esta imagem ilustra um texto cujo título é "Heróis de Ouro"

Nenhum comentário:
Postar um comentário