Marques,
Gutierrez E Almeida, (2008) explicam que:
“O esporte moderno surgiu no início do século XIX como conseqüência de
transformações sociais. Instaurou-se como importante fenômeno sócio-cultural
durante os séculos XIX e XX, sofrendo, no final deste último, grande
transformação de seus valores e abrangência. Enquanto a forma moderna
deste fenômeno pautava-se no amadorismo e disputas políticas, o esporte
contemporâneo surge como fruto de transformações relativas à comercialização da
cultura e lazer no período pós-Guerra Fria, que coloca-se como uma versão atual
do esporte, apresentado novas características como a heterogeneidade de
práticas e comercialização exacerbada, sendo estas os pontos principais de
relação dos sujeitos com esse fenômeno.”
Na medida em que a globalização e o mercado capitalista
cresceram mais unificado e voltado a comercialização tornou-se o esporte, no
qual suas práticas, voltadas ao lazer, à educação formal e ao alto rendimento,
acabam se associando com consumo. A expansão do esporte contemporâneo pode ser
associada a duas tendências, a massificação e a democratização do esporte.
A massificação do esporte trata da volta dos jogos
produzidos pelo povo e no lazer voluntário, como espetáculo para consumo. Proni
(1998, citado por MARQUES, GUTIERREZ e
ALMEIDA, 2008) observa que a massificação do esporte tem sido “bastante
funcional para a expansão dos mercados esportivos e das oportunidades
ocupacionais relacionadas ao esporte”. Estando este processo diretamente ligado
a espetacularização do esporte, pois a divulgação de suas práticas, valores e
significados ampliam o campo de ação do mercado e do esporte como produto, da
mesma forma a democratização.
A democratização refere-se a preocupação em
disponibilizar a prática esportiva para o maior número de pessoas possível
(MARQUES, 2007), tornando a massificação possível.
Tubino (1992 citado por MARQUES, GUTIERREZ e ALMEIDA, 2008) aponta para a origem do
esporte-espetáculo comercial como sendo “o resultado da descoberta de que o
esporte pode ser um produto rentável, a partir da relação deste com os meios de
comunicação”. Englobando as mais diversas esferas desde o alto rendimento,
praticantes de esporte amador e por lazer até a criação e comercialização de
produtos.
Proni acrescenta que (1998 citado por MARQUES, GUTIERREZ e ALMEIDA, 2008) para o
esporte-espetáculo existem três traços elementares:
“-
Competições esportivas organizadas por ligas ou federações que reúnem atletas
submetidos a esquemas intensivos de treinamento (no caso de modalidades
coletivas, a disputa envolve equipes formalmente constituídas);
-
As competições esportivas tornaram-se espetáculos veiculados e reportados pelos
meios de comunicação de massa e são apreciados no tempo de lazer do espectador;
-
A espetacularização motivou a introdução de relações mercantis no campo
esportivo, seja porque conduziu ao assalariamento de atletas, seja em razão dos
eventos esportivos apresentados como entretenimento de massa passarem a ser
financiados através da comercialização do espetáculo.”
Os meios de comunicação em
massa constituem-se como marcos histórico e social (BRIGGS; BURKE, 2004 citados
por SANTOS e MEDEIROS, 2009), responsáveis por gerar códigos específicos que
produzem efeitos de percepção, processos de recepção e comportamento sociais
(SANTOS e MEDEIROS, 2009).
A mídia se constitui como
uma indústria, de acordo com Kellner (2006, citado por SANTOS e MEDEIROS,
2009), na qual sua produção de símbolos e significados interferem diretamente
na estrutura, organização e reorganização da realidade, incluindo o esporte,
percebida pelo receptor, no qual o autor considera, o seu consumo inconsciente
e desconhecedor deste processo como alienante do potencial criador e da imaginação.

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