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quarta-feira, 3 de abril de 2013

ESPETACULARIZAÇÃO DO ESPORTE


Marques, Gutierrez E Almeida, (2008) explicam que:
 “O esporte moderno surgiu no início do século XIX como conseqüência de transformações sociais. Instaurou-se como importante fenômeno sócio-cultural durante os séculos XIX e XX, sofrendo, no final deste último, grande transformação de seus valores e abrangência. Enquanto a forma moderna deste fenômeno pautava-se no amadorismo e disputas políticas, o esporte contemporâneo surge como fruto de transformações relativas à comercialização da cultura e lazer no período pós-Guerra Fria, que coloca-se como uma versão atual do esporte, apresentado novas características como a heterogeneidade de práticas e comercialização exacerbada, sendo estas os pontos principais de relação dos sujeitos com esse fenômeno.”

Na medida em que a globalização e o mercado capitalista cresceram mais unificado e voltado a comercialização tornou-se o esporte, no qual suas práticas, voltadas ao lazer, à educação formal e ao alto rendimento, acabam se associando com consumo. A expansão do esporte contemporâneo pode ser associada a duas tendências, a massificação e a democratização do esporte.
A massificação do esporte trata da volta dos jogos produzidos pelo povo e no lazer voluntário, como espetáculo para consumo. Proni (1998, citado por MARQUES, GUTIERREZ e ALMEIDA, 2008) observa que a massificação do esporte tem sido “bastante funcional para a expansão dos mercados esportivos e das oportunidades ocupacionais relacionadas ao esporte”. Estando este processo diretamente ligado a espetacularização do esporte, pois a divulgação de suas práticas, valores e significados ampliam o campo de ação do mercado e do esporte como produto, da mesma forma a democratização.
A democratização refere-se a preocupação em disponibilizar a prática esportiva para o maior número de pessoas possível (MARQUES, 2007), tornando a massificação possível.
Tubino (1992 citado por MARQUES, GUTIERREZ e ALMEIDA, 2008) aponta para a origem do esporte-espetáculo comercial como sendo “o resultado da descoberta de que o esporte pode ser um produto rentável, a partir da relação deste com os meios de comunicação”. Englobando as mais diversas esferas desde o alto rendimento, praticantes de esporte amador e por lazer até a criação e comercialização de produtos. 
Proni acrescenta que (1998 citado por MARQUES, GUTIERREZ e ALMEIDA, 2008) para o esporte-espetáculo existem três traços elementares:
“- Competições esportivas organizadas por ligas ou federações que reúnem atletas submetidos a esquemas intensivos de treinamento (no caso de modalidades coletivas, a disputa envolve equipes formalmente constituídas);
- As competições esportivas tornaram-se espetáculos veiculados e reportados pelos meios de comunicação de massa e são apreciados no tempo de lazer do espectador;
- A espetacularização motivou a introdução de relações mercantis no campo esportivo, seja porque conduziu ao assalariamento de atletas, seja em razão dos eventos esportivos apresentados como entretenimento de massa passarem a ser financiados através da comercialização do espetáculo.”

Os meios de comunicação em massa constituem-se como marcos histórico e social (BRIGGS; BURKE, 2004 citados por SANTOS e MEDEIROS, 2009), responsáveis por gerar códigos específicos que produzem efeitos de percepção, processos de recepção e comportamento sociais (SANTOS e MEDEIROS, 2009).
A mídia se constitui como uma indústria, de acordo com Kellner (2006, citado por SANTOS e MEDEIROS, 2009), na qual sua produção de símbolos e significados interferem diretamente na estrutura, organização e reorganização da realidade, incluindo o esporte, percebida pelo receptor, no qual o autor considera, o seu consumo inconsciente e desconhecedor deste processo como alienante do potencial criador e da imaginação. 
Imagem encontrada em: http://cienciahoje.uol.com.br/revista-ch/2012/299/entre-o-sucesso-e-a-polemica


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